Especial 8 de Março: Mulheres Cientistas

Mulheres representam apenas 30% dos pesquisadores no mundo1 e detêm apenas 10% dos cargos acadêmicos mais altos da área2. Das 575 pessoas agraciadas com os prêmios Nobel de Química, Física e Medicina, somente 16 eram mulheres. No Brasil, há um equilíbrio entre homens e mulheres no início da carreira científica, mas ele diminui com o passar dos anos, com participação feminina de 30% com pesquisas vinculadas ao final da carreira3.

Eu acredito que muito do trabalho do professor é instigar os alunos a gostarem de buscar conhecimento, dessa forma o aluno se instrumentaliza para aprender sobre qualquer área. Então cabe ao professor de ciências tornar a biologia, a física e a química atraentes para que mais pessoas se interessem em seguir carreira nessas áreas. Os estereótipos de gênero são fatores culturais ainda muito presentes na nossa sociedade, estes determinam que certas áreas e atividades são destinadas aos homens e têm-se constatado que desde cedo as meninas internalizam essa divisão. Em uma pesquisa com crianças de 6 a 10 anos, demonstrou-se que tanto as meninas quanto os meninos entendem a matemática como atividade masculina e que, as meninas, tanto de forma implícita quanto explícita, se identificam menos com essa área4, apesar de ambos os gêneros terem desempenho parecido na disciplina. Também se observou que um ambiente predominantemente voltado ao masculino diminui o interesse das mulheres pela matéria devido à falta de “senso de pertencimento”5.

Este conceito do senso de pertencimento tem uma grande importância para os seres humanos, visto que somos seres sociais e o pertencimento a um grupo molda a nossa identidade e incentiva a nossa atuação. Então peço aos educadores que incorporem o trabalho de cientistas mulheres nas suas aulas, relembrem suas histórias e valorizem seus feitos para que os meninos reconheçam a contribuição das mulheres para a ciência e principalmente, para que as meninas possam se espelhar nessas mulheres e encontrem motivação para seguir nas carreiras científicas. Como ponto de partida, organizei esta lista de algumas grandes pesquisadoras e suas contribuições para a ciência.

post carsonRachel Louise Carson (27 de Maio, 1907 – 14 de Abril, 1964) foi uma bióloga marinha e ambientalista norte-americana. Depois de muitos volumes publicados sobre biologia marinha, Carson se preocupou com o uso excessivo de pesticidas sintéticos e começou a investigar o uso de agrotóxicos e seus impactos no meio ambiente. Este era um assunto delicado, visto que o uso dos pesticidas envolve a indústria da agricultura, mesmo assim, ela decidiu escrever “A Primavera Silenciosa” depois de anos de pesquisa sobre o tema na Europa e Estados Unidos. Conforme esperado, seu livro causou uma grande comoção e ela foi muito criticada por diversos setores da sociedade. Carson foi a precursora  do movimento ambientalista contemporâneo e dessa nova consciência para com a natureza que hoje nós chamamos de sustentabilidade.

post meitnerLise Meitner (7 de Novembro, 1878 – 27 de Outubro, 1968) foi uma física austríaca (e mais tarde sueca) que trabalhava com radioatividade e física nuclear. Ela fez parte da equipe que fez a descoberta da fissão nuclear, pesquisa pela qual seu colega, Otto Hahn, recebeu o Prêmio Nobel. Meitner e Hahn trabalhavam juntos e em 1917 eles descobriram um novo elemento: protactínio. Conforme sua pesquisa avançou, ela participou da corrida científica para criar um elemento mais pesado que o urânio. Essas pesquisas foram o início dos trabalhos que descobriram a energia nuclear. Depois da 1ª Guerra Mundial, Meitner trabalhou de forma incansável para trazer à tona as responsabilidades éticas e morais dos cientistas após as devastações causadas pelos ataques nucleares.

post franklin

Rosalind Elsie Franklin (25 de Julho, 1920 – 16 de Abril, 1958) foi uma biofísica e cristalógrafa de raios X britânica que fez grandes contribuições para o entendimento das estruturas moleculares do DNA, do RNA, dos vírus, do carvão e do grafite. Ela se destacou mais pelo seu trabalho na difração das imagens de raio X do DNA, o que resultou na descoberta da dupla-hélice do mesmo. Franklin sofreu discriminação no seu ambiente profissional por ser mulher, isso fez com que o crédito por suas pesquisas fosse diminuído. Mesmo sua pesquisa tendo sido essencial e servido de base para que James Watson e Frances Crick apresentassem a estrutura do DNA, Franklin não obteve reconhecimento em vida pelo seu trabalho. Já Watson , Crick e também Maurice Wilkins receberam o prêmio Nobel de Medicina pelos estudos sobre a estrutura do DNA.

post valerieValerie Thomas (nascida em Maio de 1943) é uma física norte-americana. Apesar do pouco incentivo quando criança, a curiosidade de Valerie a levou para as ciências e depois de uma graduação marcada por seu ótimo desempenho, começou a trabalhar na NASA. Em 1976, Thomas assistiu a uma palestra que a inspirou a fazer experimentos com espelhos. Espelhos retos geram o reflexo de um objeto que parece estar atrás da superfície do vidro. Já um espelho côncavo mostra um reflexo que parece existir em frente ao vidro, trazendo a ilusão de que esta imagem existe de forma tridimensional. Thomas pensou que este método seria mais eficiente para mostrar imagens de vídeo, tanto para televisões quanto para equipamentos científicos, e portanto, desenvolveu e patenteou o seu transmissor de ilusão, que foi adotado pela NASA e é usado em cirurgias e na produção de televisões e monitores. Thomas também contribuiu para a astronomia desenvolvendo programas para as pesquisas do cometa Halley, da camada de ozônio e para tecnologia de satélites. Hoje em dia ela é pesquisadora associada na Universidade de Baltimore e também faz parte de um programa científico que tutora jovens.

post Rubin2Vera (Cooper) Rubin (nascida em 23 de Julho, 1928) é uma astrônoma Norte-Americana. Em 1962, ela se tornou a primeira professora mulher de Astronomia da Georgetown University. E, em 1965, foi a primeira mulher a ter autorização para operar os telescópios do Observatório de Palomar. Rubin foi pioneira com seu trabalho sobre a rotação de galáxias e descobriu a discrepância entre o movimento angular das galáxias previsto e o observado, estudando as curvas de rotação de galáxias. As galáxias giram numa velocidade tão rápida que elas se desmanchariam se a gravidade dos astros que as compõem fosse o único fator que as mantivessem unidas. Mas isso não acontece, então existe uma grande massa desconhecida mantendo-as unidas. Tentativas de explicar o problema da rotação das galáxias levaram a teoria da matéria escura. Nos anos 1970, Rubin obteve a evidência mais forte daquela época para provar a existência da matéria escura, este  ainda é um dos grandes mistérios da Astronomia atual. Vera Rubin tem três filhos e uma filha, hoje todos cientistas. E, aos 87 anos, ela dedica seu tempo, fama e recursos a fomentar a entrada e permanência de mulheres no meio científico.

post aptricia bath2Patricia Era Bath (nascida em 4 de novembro de 1942) é uma oftalmologista, inventora e acadêmica norte-americana pioneira em vários aspectos.  Antes de Bath, nenhuma mulher havia servido no Instituto Oftalmológico Jules Stein, liderado um programa de estudos em oftalmologia nem sido eleita membra honorária do centro médico da Universidade da Califórnia. Ela também foi a primeira pessoa negra a atuar como residente em oftalmologia na Universidade de Nova York e a primeira mulher negra a atuar como cirurgiã na Universidade da Califórnia. Em 1981, criou sua mais famosa invenção: um tratamento a laser para catarata menos doloroso aos pacientes. Com o invento, ela conseguiu restaurar a visão de pacientes que eram cegos há cerca de 30 anos. Bath foi a primeira mulher negra a receber uma patente médica, em 1988, e desde sua aposentadoria em 1993 ela continua a advogar pela população desfavorecida e concentra seus esforços no uso da tecnologia para oferecer serviços médicos em lugares remotos.

post Nettie_Stevens Nettie Maria Stevens (7 de Julho, 1861 – 4 de Maio, 1912) foi uma das primeiras geneticistas norte-americanas. Ela e Edmund Beecher Wilson foram os primeiros a descrever a base cromossômica do que chamamos de sexo biológico. Apesar de Stevens colaborar com o cientista T. H. Morgan, a maior parte do seu trabalho foi conduzida de forma independente. Muitos acreditam que sua posição no campo da genética foi abertamente ignorada, pois o crédito pela descoberta dos cromossomos X e Y e sua relação com a determinação do sexo biológico é geralmente creditada a Edmund Wilson (que leu o manuscrito de Stevens antes de publicar sua própria teoria) e a T. H. Morgan, o biólogo que, junto com Wilson, recebeu o Prêmio Nobel por essa descoberta.

post payne

Cecilia Helena Payne-Gaposchkin (10 de Maio, 1900 – 7 de Dezembro, 1979) foi uma astrônoma e astrofísica anglo-americana, que, em 1925, propôs em sua tese de doutorado uma explicação para a composição das estrelas relacionada às quantidades relativamente abundantes de hidrogênio e hélio nelas presentes. Na tese de Payne, ela mostrou que a grande variação no espectro estelar é devida principalmente aos diferentes estados de ionização dos átomos e consequentemente às diferentes temperaturas de superfície das estrelas e não às quantidades dos elementos. Ela descobriu que, surpreendentemente, o Sol e as outras estrelas são formadas quase que inteiramente por hélio e hidrogênio, os dois elementos mais leves.


Referências:

1 Instituto UNESCO de Estatísticas, 2014

2 Análise do Boston Consulting Group para “Mulheres na Ciência” da Fundação L’Oréal, 2013

3 CNPQ, 2013

4 Math–Gender Stereotypes in Elementary School Children, University of Washington, 2011

5 Ambient Belonging: How Stereotypical Cues Impact Gender Participation in Computer Science, American Psychological Association, 2009

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