Aulas práticas são realmente importantes?

O laboratório de ciências recebeu um status de importância no ensino das disciplinas de física, química, biologia e relacionadas, com indicações de que atividades práticas auxiliam na aprendizagem de conteúdos. Porém, alguns educadores questionam a efetividade e o papel das aulas práticas, pois essas atividades tomam considerável tempo de aula, tempo de planejamento e requerem recursos materiais. Para que experimentos práticos possuam relevância pedagógica, eles devem ser dinâmicos e desenvolver o pensamento crítico dos alunos.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais para as Ciências Naturais andam ao lado das atividades práticas, pois estes propõem que o aprendizado de ciências permita a investigação, a comunicação, a observação, o estabelecimento de relações entre fatos e ideias e a proposição e solução de problemas. Para tanto, os experimentos de aula não podem replicar os moldes do ensino tradicional. Experimentos que sirvam para somente ilustrar aulas explicativas não são eficientes, pois na verdade, as teorias científicas são baseadas em vários experimentos complexos que não podem ser simplificados. Para ilustrações, sugere-se o uso de demonstrações práticas e métodos audiovisuais. Quando as aulas práticas se resumem a seguir as instruções para encontrar as respostas certas e para “provar” os conceitos de aula teórica, não se está estimulando o pensamento científico dos alunos, está-se apenas desenvolvendo habilidades manuais.

Segundo Shulman e Tamir (1973), existem cinco grupos de objetivos que podem ser alcançados em experimentos práticos de ciências:

  1. Habilidades – manipulativa, investigativa, questionadora, comunicativa e organizacional
  2. Conceitos – comos os de hipótese, modelo teórico, categoria taxonômica
  3. Habilidades Cognitivas – pensamento crítico, solução de problemas, análise, síntese, aplicações
  4. Entender o propósito da Ciência – existência de vários métodos científicos, interações entre ciências, tecnologias e sociedade, a prática de um cientista, usar o saber científico para a melhoria da vida no planeta
  5. Atitudes – curiosidade, interesse, assumir riscos, objetividade, precisão, colaboração

Esses objetivos, além de incentivar alunos a compreender e de preferência a gostar de ciências, podem ser utilizados para enfatizar uma mudança de pensamento para com o todo, ou seja, características que podem ser aplicadas em todos aspectos da nossa vida e em como lidamos com o ambiente a nossa volta. O aluno deve ser o próprio construtor do seu conhecimento, o professor serve como intermediário, provendo ferramentas que permitam essa construção e aí é que entra a tão falada resolução de problemas. As aulas práticas devem ser investigativas e questionar o senso comum dos alunos, permitindo aos estudantes experimentar suas previsões, errar, comunicar ideias com os colegas e buscar soluções para problemas reais.

A integração do laboratório com as aulas teóricas deve proporcionar um ambiente de livre aprendizado e expressão de ideias, onde elementos cotidianos dos alunos sejam utilizados (brinquedos, ingredientes caseiros, ferramentas, etc), onde toda a turma tenha acesso a “colocar as mãos” na atividade, com materiais para todos, onde as regras de segurança sejam seguidas e onde o método científico seja sempre explorado. De acordo com Andrade e Massabni (2011), entende-se que uma atividade prática não é apenas uma atividade mecânica de medição, observação, descrição e etc, ela requer uma participação do aluno com reflexão e análise sobre o que está ocorrendo, é preciso que se tire uma “lição” do experimento.

Sabe-se que nas escolas brasileiras, faltam recursos e apoio institucional para dinamizar os métodos de ensino, então deixo esta matéria da revista Nova Escola que dá dicas de como aplicar atividades práticas no ensino. Claro que um laboratório bem equipado faz a diferença, mas ainda é possível utilizar itens de uso comum para montar experimentos estimulantes para suas turmas. Esse pretende ser o principal objetivo desse blog, disponibilizar aulas dos mais variados níveis, que sejam possíveis de se usar como recurso e que contribuam para uma formação crítica e científica.


Referências:

https://www.narst.org/publications/research/labs.cfm

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1516-73132011000400005&script=sci_arttext

Clique para acessar o livro04.pdf

2 comentários sobre “Aulas práticas são realmente importantes?

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